Política
A chantagem. Dou-te um beijo, em troca de uma reforma da lei de trabalho "salgado".
A reforma laboral proposta pelo Governo de Montenegro — o pacote Trabalho XXI — ficou novamente suspensa no ar, não por falta de mérito técnico ou de urgência social, mas pela lógica transacional que o CHEGA instalou como método de governação à distância.
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"Este governo não chega ao fim da legislatura"
01/03/2029
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Portugal encontra-se, uma vez mais, refénico do seu próprio sistema político. A reforma laboral proposta pelo Governo de Montenegro — o pacote Trabalho XXI — ficou novamente suspensa no ar, não por falta de mérito técnico ou de urgência social, mas pela lógica transacional que o CHEGA instalou como método de governação à distância. O partido de André Ventura não governa, não propõe, não constrói: troca. Cada artigo que aprova tem um preço, cada abstenção tem contrapartida, cada voto favorável é cobrado a prazo. Não é oposição, não é apoio — é chantagem institucionalizada, disfarçada de "condições políticas".
A questão que se impõe é inevitável: afinal, quem governa Portugal? Se a UGT dita os limites do que é negociável, e o Presidente Seguro usa o Conselho de Estado como palanque para sinalizar vetos, e o CHEGA exige a descida da idade da reforma como moeda de troca para deixar passar medidas de modernização laboral, então o Governo eleito tornou-se pouco mais do que um gestor de cedências. Montenegro governa com minoria e faz-se de maioria — mas a aritmética parlamentar não mente, e o preço de cada aprovação chega sempre à bancada. O que devia ser uma reforma estrutural transformou-se num bazar legislativo onde cada partido retira o seu quinhão antes de deixar passar o texto.
André Ventura descobriu que não precisa de governar para ter poder. Basta obstruir com estilo. A proposta de baixar a idade da reforma — populista na forma, irresponsável no fundo — não surge do nada: surge como moeda de troca, como "contrapartida justa" por deixar o Governo fazer aquilo que foi eleito para fazer. É o bilhete de entrada para a votação. Portugal tem um sistema de Segurança Social sob pressão demográfica severa, e o CHEGA quer acelerá-la para ganhar manchetes. A lógica é simples: quanto mais instável o país, mais votos para quem alimenta o ressentimento. Governar não é o objetivo — é o obstáculo.
A continuar assim, Montenegro não chega ao fim da legislatura — e não por culpa da oposição, mas pela erosão silenciosa da sua própria autoridade. Um Governo que negocia cada artigo de cada proposta com um partido que funciona em modo de extorsão parlamentar acaba, inevitavelmente, por perder a coerência que justifica a sua existência. A reforma laboral que Portugal precisa — flexível, moderna, capaz de competir com a Europa do Norte — não pode nascer de um acordo feito à pressa para comprar uma abstenção. O Trabalho XXI merece mais do que ser o preço de um beijo político. E os portugueses merecem um Governo que governe, não um que sobreviva.
A questão que se impõe é inevitável: afinal, quem governa Portugal? Se a UGT dita os limites do que é negociável, e o Presidente Seguro usa o Conselho de Estado como palanque para sinalizar vetos, e o CHEGA exige a descida da idade da reforma como moeda de troca para deixar passar medidas de modernização laboral, então o Governo eleito tornou-se pouco mais do que um gestor de cedências. Montenegro governa com minoria e faz-se de maioria — mas a aritmética parlamentar não mente, e o preço de cada aprovação chega sempre à bancada. O que devia ser uma reforma estrutural transformou-se num bazar legislativo onde cada partido retira o seu quinhão antes de deixar passar o texto.
André Ventura descobriu que não precisa de governar para ter poder. Basta obstruir com estilo. A proposta de baixar a idade da reforma — populista na forma, irresponsável no fundo — não surge do nada: surge como moeda de troca, como "contrapartida justa" por deixar o Governo fazer aquilo que foi eleito para fazer. É o bilhete de entrada para a votação. Portugal tem um sistema de Segurança Social sob pressão demográfica severa, e o CHEGA quer acelerá-la para ganhar manchetes. A lógica é simples: quanto mais instável o país, mais votos para quem alimenta o ressentimento. Governar não é o objetivo — é o obstáculo.
A continuar assim, Montenegro não chega ao fim da legislatura — e não por culpa da oposição, mas pela erosão silenciosa da sua própria autoridade. Um Governo que negocia cada artigo de cada proposta com um partido que funciona em modo de extorsão parlamentar acaba, inevitavelmente, por perder a coerência que justifica a sua existência. A reforma laboral que Portugal precisa — flexível, moderna, capaz de competir com a Europa do Norte — não pode nascer de um acordo feito à pressa para comprar uma abstenção. O Trabalho XXI merece mais do que ser o preço de um beijo político. E os portugueses merecem um Governo que governe, não um que sobreviva.
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